Miranda aposta na desinformação para voltar ao DF

Published On: 02/01/2026 17:15

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Ex-deputado divulga acusação falsa contra Fred Linhares e ignora dados oficiais da Câmara

O ex-deputado federal Luís Miranda voltou a circular nas redes sociais do Distrito Federal com um discurso que já nasce fragilizado pelos próprios fatos. Em vídeo recente, ele acusa o deputado federal Fred Linhares de ter acumulado 119 faltas na Câmara dos Deputados. O detalhe que compromete toda a narrativa é simples e objetivo: o documento exibido por Miranda aponta exatamente o contrário, com 119 presenças registradas e apenas duas ausências.

A discrepância não é interpretativa, nem fruto de leitura técnica. Trata-se de um erro grosseiro que coloca em xeque a intenção do vídeo. Ao utilizar dados oficiais para sustentar uma acusação que eles próprios desmentem, o ex-parlamentar reforça a percepção de que o conteúdo não busca informar, mas gerar ruído político e engajamento artificial.

Eleito em 2018 sem raízes consolidadas no Distrito Federal, Miranda ganhou projeção nacional ao denunciar o então presidente Jair Bolsonaro por suposta prevaricação durante a CPI da Covid, no auge da pandemia. O episódio lhe garantiu visibilidade, mas não construiu base eleitoral duradoura. Em 2022, numa decisão que soou como abandono do eleitorado brasiliense, transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo, onde acabou derrotado nas urnas.

Sem mandato e sem respaldo popular recente, Miranda agora tenta retomar espaço no DF atacando adversários com informações distorcidas. A estratégia, porém, ignora um fator essencial: os dados de frequência parlamentar são públicos, verificáveis e amplamente acessíveis. Não há espaço para “versões” quando os números oficiais falam por si.

A tentativa de descredibilizar Fred Linhares, portanto, acaba produzindo efeito inverso. Expõe fragilidade argumentativa, reforça a importância da checagem de fatos e levanta dúvidas sobre a honestidade intelectual de quem acusa. Em um ambiente político já saturado por desinformação, episódios como esse ajudam a diferenciar quem se apoia em fatos de quem aposta no esquecimento do eleitor.

O Distrito Federal não carece de narrativas fabricadas, mas de debate qualificado, responsabilidade pública e respeito à inteligência da população. A memória política pode até ser testada, mas os registros oficiais permanecem.

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