Saúde do DF amplia combate à gravidez precoce com 256 ações educativas em 2025

Published On: 23/02/2026 15:04

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Programas em escolas e comunidades atingem mais de 10 mil adolescentes e reforçam prevenção, acolhimento e direitos reprodutivos

Brasília, DF  A Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) intensificou em 2025 seu enfrentamento à gravidez na adolescência, realizando 256 ações educativas ao longo do ano voltadas a jovens entre 10 e 19 anos, com foco em informação qualificada, prevenção baseada em evidências e promoção de saúde sexual e reprodutiva.

Com alcance estimado em mais de 10 mil adolescentes de diferentes regiões administrativas, as iniciativas se estenderam por escolas públicas, espaços comunitários e unidades de saúde, em um estratégia articulada com a Secretaria de Educação por meio do Programa Saúde na Escola (PSE)  uma política pública prioritária para reduzir desigualdades no acesso à informação e aos serviços de saúde.

Por que essa mobilização importa

Dados de saúde pública mostram que a gravidez na adolescência continua sendo um desafio no Brasil, associada a fenômenos como evasão escolar, vulnerabilidade social, maior risco obstétrico e impactos econômicos duradouros para jovens e famílias. A falta de informação adequada e o estigma persistente em torno da sexualidade contribuem para lacunas no uso de contraceptivos e acesso a serviços de planejamento familiar.

No Distrito Federal, a SES-DF identificou nesses contextos a necessidade de avançar além da oferta clínica tradicional, priorizando educação em saúde robusta, diálogo aberto e acolhimento sem julgamentos.

O que foi feito nas ações educativas

As 256 atividades implementadas ao longo de 2025 incluíram:

  • Palestras e rodas de conversa com adolescentes sobre sexualidade, desenvolvimento corporal, consentimento e relações saudáveis;

  • Oficinas com profissionais da saúde e educadores, com foco em desmistificar informações incorretas e ampliar a compreensão sobre métodos contraceptivos;

  • Distribuição de materiais educativos acessíveis, com linguagem jovem e embasamento técnico;

  • Sessões interativas em escolas, com participação de psicólogos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde;

  • Encaminhamentos para serviços de saúde nas redes de atenção básica.

Essas ações foram desenvolvidas com princípios pedagógicos que valorizam o protagonismo juvenil e o respeito às escolhas sustentadas em conhecimento e autonomia.

Acesso facilitado aos serviços de saúde

Além das atividades educativas, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do DF oferecem aos adolescentes atendimento humanizado sem necessidade de autorização dos responsáveis para orientações sobre métodos contraceptivos, testes rápidos de gravidez e acompanhamento de saúde reprodutiva.

Entre os serviços disponíveis estão:

  • Ofertas gratuitas de diversos métodos contraceptivos, incluindo preservativos e pílulas anticoncepcionais;

  • Inserção de dispositivos intrauterinos (DIU) e encaminhamentos seguros quando indicados;

  • Implante contraceptivo (Implanon), com cobertura gratuita para adolescentes de 15 a 19 anos e pessoas em situação de rua, provido com apoio clínico qualificado;

  • Acolhimento emocional e orientação contínua, com equipes treinadas para apoio psicológico e social.

Quando uma gestação resulta de violência sexual, as UBSs conduzem a notificação compulsória, conforme a legislação vigente, e asseguram acompanhamento multidisciplinar, incluindo serviços no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib).

Desafios persistentes e a importância da educação

Especialistas ouvidos destacam que a gravidez na adolescência não é apenas uma questão biomédica, mas um fenômeno ligado a fatores sociais, econômicos e culturais. Eles enfatizam que a informação qualificada é tão fundamental quanto o acesso a serviços clínicos.

“A prevenção eficaz exige diálogo aberto, respeito às experiências dos jovens e políticas públicas sustentadas por dados. A educação em saúde deve estar integrada ao currículo escolar e às práticas comunitárias”, afirma um professor de saúde pública da região referindo-se à necessidade de políticas estruturadas de longo prazo.

Caminhos para o futuro

O balanço das ações de 2025 aponta para a necessidade de manter e reforçar esse modelo articulado de educação, prevenção e acolhimento, com foco especial em:

  • Formação continuada de profissionais de saúde e educação;

  • Ações de comunicação que dialoguem com a linguagem juvenil;

  • Indicadores de impacto que auxiliem no planejamento de políticas públicas eficazes.

O Distrito Federal segue, assim, uma agenda que reconhece a adolescência como fase de direitos e potencialidades, buscando reduzir desigualdades e garantir que cada jovem tenha acesso à informação, autonomia e cuidado de qualidade.

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